

Devoras-me, mas não me decifres
Por trás de cada sorriso, uma mulher esconde um universo de enigmas.
Ninguém sabe quantas lágrimas foram precisas para lustrar o brilho do seu olhar… Mas quem ousa fitar seu espelho d’água vê reflexos que o tempo não ousa tocar. Ela é o verbo que se dobra em silêncio, é o mapa onde o vento aprende a navegar. Por trás de cada passo, uma história que o chão não revela, um fio de lua costurado na palma da mão. Ela colhe do escuro a semente da aurora e planta no peito a própria solidão. Por trás de cada porta que ela fecha com calma, abre-se um céu que ninguém viu nascer. Mulher é a raiz que floresce na pedra, é o mar que recusa a se desfazer. Mesmo que me decifres, não me alimentas a alma… Dedicatória À minha amiga Maoz Ortega, mulher imigrante que, como eu, aprendeu que partir não é apenas atravessar fronteiras. É carregar raízes para terras desconhecidas, recolher os próprios pedaços pelo caminho e descobrir que também se pode criar pertencimento onde antes havia distância. À mulher que encontrou nas dificuldades não o ponto final de sua história, mas matéria para reescrevê-la. Que fez da superação uma nova caligrafia e, sem apagar as páginas que doeram, continuou escrevendo a si mesma. Para Maoz, com meu carinho e admiração. D’Bara Arruda
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 01/09/2026
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