

Cartografia dos Naufrágios
Desde pequeno
que abro a janela do consciente para ver, no horizonte, o navegar das entrelinhas no mar de perguntas revoltas. E o mundo me parecia muito mais belo ao olhar pelas frestas do silêncio que impunham. Cortei o pé ao tentar ser eu mesmo no primeiro passo. Não me negaram a escrita. Rasgaram meu livro preto de versos. Não censuraram minha música. Quebraram meu cavaquinho e me açoitaram. Com a janela aberta, vejo no agora, com olhar fixo no horizonte. Eu era ainda criança, e não era eu que tinha medo da realidade. Era o mundo que temia meus sonhos.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 07/09/2026
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