

Jummama
Te dei um nome que não é só bonito.
Cada sílaba já tem melodia. Você não é como as cores de outono que amei com força, sem saber que o inverno as levaria. Por essas eu já chorei… Não pela ausência delas. No avesso do brilho, entender também pesa. Escutar também tem seu preço. E eu já derrubei águas demais nesses verões em que o calor dos sentimentos cegou meus olhos. Até nos conectarmos. Foi no momento em que teu olhar descansou no meu, como quem chega e sabe que é sua casa. Teu sorriso é um farol em dia de neblina, tua mão na minha é a rota que ilumina em mim o que carrega raiz e chão. Em ti encontrei o vento e a direção. És a calma que desenha meu mar. A folha em branco que me faz versar. Não por acaso, mas por querer o teu inteiro. És a prova de que o amor não é fuga, é chão. Guardo o instante em que a vida me deu essa verdade neste poema simples, feito de gravidade, que sustenta o solo do amanhã. Cada palavra tua é um canteiro de inspiração, um mundo de sonhos e metas siamesas. É coragem que faz meus medos dobrarem-se à realidade que não cede a espinhos. Não. Não cabe porquê. Na ponta dos dedos, projetos voam mirando o infinito. Alguns se perdem no céu do pensar cinzento da desilusão. Mas tu, que me ensinas, reaprendes a cair com a mão no chão. Foste meu porto quando o mar bravio quebrava em mim sua onda mais cruel. Não somos dois, somos uma corrente. Teu medo aperta o meu, meu sonho é teu. Nessa troca de pele, de alma ardente, o que era teu aprende a ser nosso. E quando o mundo pesa como um muro, lembro que o arrimo está em teu peito. O futuro, que a dois se escreve, a dois se refaz, do nosso jeito.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 08/09/2026
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