D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Escrever vicia, a vida no cadafalso de letras
Ei, olhar crítico!

Vai com calma,
que já estou roendo unhas
sujas de sobras de textos.

Algum remédio
para a página em branco
enfim descansar
de mim?

Basta eu olhar o mundo
que orbita ao redor
da minha abstinência
de estrofes e linhas.

Tentador.

O cérebro coça
e a interpretação soa fria.

Dependência silábica.

Talvez
alguém do outro lado
do espelho me diga:

Para de pensar!

E logo lhe jogo a desculpa:
É só essa vez.
Eu juro…

Mas, se eu fizer,
serei eu o cúmplice
da calamidade humana?

Cale-te a mão
ao amputar os dedos.

Oh!
Orunmilá,
Deus da sabedoria,
dê férias à inspiração
e à memória.

Pois é…

Não pode doer pedir eco.

Não é justo pesar na mão
a resposta de quem
desfaz meu verso.

Ai de mim!

Ser fardo solitário
ao exigir espelho consciente
de quem quebra minhas sílabas.

Se trago abaixo do osso
do meu ori
orikis gravados
de sangue ancestral.

Querelas me errem!

Se eu parar de afiar minha pena,
perco o gosto de rasgar
o que se veste de imaculado.
O que se julga acima
do chão.

E se porventura
seu ar de acadêmico
bater de frente
com minhas reticências.

Saiba.

Sou o nóia
das entrelinhas.

O que depende de purgar
aquilo que me deram
de conhecimento
sob o jugo
dos grilhões omissos.

Retro preconceitual,
banhado de modernidade.
Reinvenção das narrativas
históricas.

Eu não…

Morre o gozo de cortar
a estória alva
e santificada.

Literalmente.

Se alguém se sentir
tentado a fazer
uma intervenção,

não me tranque
no centro de recuperação
dos imortais.

Não me castigue com essa
cura que elitiza o poeta.

Não me domestique
para exibir-me em vitrine
com placa:

Eis aqui um ex-divergente
da “cultura real”.

Não…

Me jogue na rua,
no meio dos desprovidos
de know-how.

Quando a escrita é humana,
há página em chamas
e vida de vários tons.

Escrever não é prender-se
ao próprio eco.

Sem a tinta que escraviza
a alma sem réplica.
Sem viés
e sem fardão bordado
a fio de ouro.

Semianalfabeto
e nu.

Curioso…

Das vírgulas viemos
e ao ponto final voltaremos.

Do verbo ao vício.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 09/09/2026
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