D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Divina Comédia. Ato II: Não que eu não queira, discordar
Ainda sem roupa…

E da minha janela,
no norte esférico da bússola,
eis-me aqui.

Direcionando saudades
ao sul da origem
da minha existência.

O céu amanheceu sem cor.
O azul sumiu de cima.
O tempo de hoje
parece estar de luto.

Agora, nesse fim de dia,
soltei da mão da inércia.
Bebido de coragem,
entreguei-me às notícias.

Além do mar de lama
que vitimou
os devotos de Buda.
Que nó na garganta do mundo,
essa espiral sem fundo.

Agora compreendo o manto negro
no firmamento.
O gemido molhado que ele derrama
e o choro que ele pintou
nas nuvens.

Viro a página…

E lá segue ele.
Praticando das suas.
Sequestrando atenções,
pra se imortalizar na memória.

Me veio à mente
Sabotagem:
Respeito é pra quem tem…

É, mano!
Pra ele tanto faz,
tanto fez.

O amoral, cowboy laranja.
O devora-tenras,
e eu aqui não me refiro
às Brássicas.

Figuras clássicas
que a escória humana
produz.

O cúmplice da pandemia.

Hipocrisia.
Eclesiástia.
Modos operand.

Seu moço,
cale-se.
Chega de patifaria.

É a sombra
que se esconde
na claridade da sua tela.

Viciante,
luzes pulsantes
e desafios que ceifam vidas.

Pronto!

Agora que cozinhei
na colher do entendimento,
vamos à primeira dose.

Para de tremer, papel.

Não,
são os seus dedos.
Por que bailam na testa
da monomania?

Nessa roda-gigante mental,
esse bicho que rói por dentro.

Sombra que morde o juízo
ao ver a luz dos fatos
do agora.

Não sou disco riscado
tocando sempre a mesma nota.
É o cão que late dentro do crânio
e não deixa dormir.

Esse mundo que tece labirintos
e depois vende o fio.
Que fabrica noite
e me obriga a comprar a vela.

Faz dependente
meu ímpeto peregrino,
que anseia desvendar
o oculto das respostas prontas.

Quer dizer,
fabricam fatos…

Traficam acontecimentos.

Meu remédio,
que, na bula ilegível,
faz de conta que alerta.

Cuidado:

Para uns, inibe a lucidez.
A outros como eu,
a dependência.

Que ironia, Apolo,
seu primeiro vício veio justo,
justo da flecha de Eros…

Te amo, papel,
cama com lençol limpo
onde meu pensamento te devora.

Colo de ninfa sem pegada
onde minha voz pode ousar
nascer.

Espaço onde nada dói.
Ainda…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 10/09/2026
Alterado em 12/09/2026
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