

Divina Comédia. Ato III: Entrando em terreno minado de narrativas
Antes de tudo deixo claro que
aqui é a estória vislumbrada depois da vírgula. Cuidado onde sua interpretação pisa. Guarda Revolucionária se denominam. O que tem de revolução em mulheres acorrentadas a fundamentos? Cubram o esplendor do corpo e vistam panos sobre a pele. Diante de homens que não sejam do seu sangue direto. Quem foi o manso tóxico que confabulou essas linhas? Humm… Parece vir da mesma fonte do velho argumento que herdamos sem pedir. Aaaah! Sei. São esses os descendentes. Daquele que foi induzido a negar ao primogênito ruivo o que lhe era de direito. Muita treta para uma linhagem só. Respira para dar o próximo passo para não pisar em falso ou tropeçar na verdade e… Boom! Sangue estranho não merece o brilho? Beleza e força escravizadas em panos, hijab. E não me convidem a ir à montanha. Insisto, se ela quiser, que venha a mim. Só assim saberemos quem convidou quem. Em um momento de lucidez, até posso dizer: Fundamentalismo é o que faz engasgar a boca antes que vomite a palavra paz. Há um país onde a pedra sonha ser água. E a água, envergonhada, finge não lembrar. Mas se o silêncio for a única escada que a doutrina faz descer a autoestima até o fundo do poço? Onde a liberdade cede ao jugo e aprende a beber de si mesma e se apagar do coexistir? Malala que o diga. Pare por aí, senhor sanidade. Doía menos quando a pílula de informação ainda não tinha corte. A dose era menos adulterada. Opa! Adultério? Aonde? Aqui quem atira a primeira pedra sou eu. E vou jogar umas das que catei entre os cacos do meu telhado de vidro. Ninguém governa território desapropriado dos dotes ancestrais. É mais fácil culpar a semente do que a mão que rega a terra em que brota a raiz. O não aprender com o tempo é que faz seus erros travarem as pernas da evolução. Eu sei. Quando te nutrem de conhecimento, te alimentam a vida com pão misturado com serragem. O problema é grande para desobstruir. Leva tempo. Na melhor das hipóteses, o vício de morar em palavras alheias te causa refluxo moral. A corrente que se arrasta, presa a sílabas que não são suas. Cativeiro de repetir o que nunca foi seu. Mas a muleta feita de citações, com altas doses de testosterona, faz o eco se acostumar a não ter voz própria. São só mulheres. Afinal. Se na linha da igualdade, ante o olho do macho que escreveu a história com a castidade da que sangra. Se elas são sombra de gente, já nascemos como fenda, fruto amaldiçoado do Éden. Como erro no barro desse mundo de tentativas que não endureceram. E a desculpa é simples! Deus nos fez monstros de crueldade fina. E para o futuro da narrativa, deixo aqui meu ponto final. … não. E o livre-arbítrio? Não vou me deixar ser tentado a ser omisso. Prefiro me drogar com reticências…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/09/2026
Alterado em 12/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |