D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Divina Comédia. Ato III: Entrando em terreno minado de narrativas
Antes de tudo deixo claro que
aqui é a estória vislumbrada
depois da vírgula.

Cuidado onde
sua interpretação pisa.

Guarda Revolucionária
se denominam.

O que tem de revolução
em mulheres acorrentadas
a fundamentos?

Cubram o esplendor do corpo
e vistam panos sobre a pele.
Diante de homens
que não sejam
do seu sangue direto.

Quem foi o manso tóxico
que confabulou essas linhas?

Humm…

Parece vir da mesma fonte
do velho argumento
que herdamos sem pedir.

Aaaah!

Sei.

São esses os descendentes.

Daquele que foi induzido
a negar ao primogênito ruivo
o que lhe era de direito.

Muita treta para uma linhagem só.

Respira para dar o próximo passo
para não pisar em falso
ou tropeçar na verdade
e…

Boom!

Sangue estranho
não merece o brilho?

Beleza e força escravizadas
em panos,
hijab.

E não me convidem
a ir à montanha.
Insisto,
se ela quiser, que venha
a mim.

Só assim
saberemos quem
convidou quem.

Em um momento
de lucidez, até posso dizer:

Fundamentalismo
é o que faz engasgar
a boca antes que vomite
a palavra paz.

Há um país
onde a pedra sonha ser água.
E a água, envergonhada,
finge não lembrar.

Mas se o silêncio for a única
escada que a doutrina faz
descer a autoestima
até o fundo do poço?

Onde a liberdade
cede ao jugo e aprende
a beber de si mesma
e se apagar do coexistir?

Malala que o diga.

Pare por aí,
senhor sanidade.

Doía menos quando a pílula
de informação
ainda não tinha corte.
A dose era menos adulterada.

Opa!

Adultério?
Aonde?

Aqui quem atira
a primeira pedra sou eu.

E vou jogar umas das que catei
entre os cacos do meu telhado
de vidro.

Ninguém governa
território desapropriado
dos dotes ancestrais.

É mais fácil culpar a semente
do que a mão que rega
a terra em que
brota a raiz.

O não aprender com o tempo
é que faz seus erros
travarem as pernas
da evolução.

Eu sei.
Quando te nutrem
de conhecimento,
te alimentam a vida com pão
misturado com serragem.

O problema é grande
para desobstruir.
Leva tempo.

Na melhor das hipóteses,
o vício de morar em palavras alheias
te causa refluxo moral.

A corrente que se arrasta,
presa a sílabas que não são suas.
Cativeiro de repetir o que
nunca foi seu.

Mas a muleta feita de citações,
com altas doses de testosterona,
faz o eco se acostumar
a não ter voz própria.

São só mulheres.

Afinal.

Se na linha da igualdade,
ante o olho do macho que escreveu
a história
com a castidade da que sangra.

Se elas são sombra de gente,
já nascemos como fenda,
fruto amaldiçoado do Éden.

Como erro no barro
desse mundo de tentativas que não endureceram.

E a desculpa é simples!

Deus nos fez monstros
de crueldade fina.

E para o futuro da narrativa,
deixo aqui meu
ponto final.

… não.

E o livre-arbítrio?

Não vou me deixar ser tentado
a ser omisso.

Prefiro me drogar
com reticências…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/09/2026
Alterado em 12/09/2026
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