

Baile das aspas ancestrais
Dançava na terra, em celebraçÔes,
com seus ancestrais no transe sagrado, ao som do tambor. AtĂ© que chegou o âsinhĂŽâ, e o retinto que era livre dançou. Navegar nĂŁo foi chamado, foi ordem. Bagagem: sĂł a fĂ©, a mente cheia de perguntas e memĂłrias. E lĂĄ estavam, na travessia que nĂŁo foi pedida em oraçÔes. Retintos ao mar. Correntes nos pĂ©s, correntes nas mĂŁos, ao som do açoite, choro e fome. Indagam se foi castigo⊠ĂgĂČ Mo jĂčbĂĄ OriáčŁĂ ! No Valongo, jogados: corpos vendidos, vidas desvalorizadas. Fizeram-se raĂzes, sementes de povos que preservam o giro do corpo. YĂȘ, capoeira! YĂȘ, Ogum! No baile dos bantus e nagĂŽs, os malĂȘs foram o eco das aspas do ontem, que fez nascer o brado do DragĂŁo do Mar. YĂȘ, Chico da Matilde! Chega de corrente, chega de comĂ©rcio. NĂŁo pode ser barato aquilo que sustenta a histĂłria.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/09/2026
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