

Anatomía dos monstros
Eu,
réu confesso, já fui um monstro. E quem não foi? Não vou passar pano. Sim, eu sei que você já foi. Marginal, marginalizado, à margem da porção de restos que aos seus deram de comer, a boca que o alimentava. Monstro, monstro e monstro. Dia comum na vida de um infante retinto. Chuva de palavras que lhe ferem a pele, mas não a alma. Essa já foi quebrada muito antes do nascimento. Monstros nascidos sem passado. Percebes? Hoje, dentro de mim, não habita uma fera. Não mais. Consciência de um anjo que chora por ter domesticado a escuridão ao devorar o monstro. E, mesmo com o estômago doendo, mesmo vomitando açoites em letras, a sociedade se recusa a me ver por inteiro. Bom mesmo quando eu era o monstro. Né! Segue o baile…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 23/09/2026
Alterado em 23/09/2026 |