

Solteira, ousada e da rua
Filho, isso não presta.
Dizia minha finada mãe… Parece que ela já sabia do meu apetite. Corpo quente, temperado, sem pudor. E mente aberta. Meu Deus! Exclamava ela… O banquete dos bordéis, seguia ela na sua fala… Eu não te criei para namorar mulher dessa laia. Pois é, no tempo do seu avô, mulher assim nunca foi pra casamento. Se comprava por uns contos de réis. E eu olhava com ar de riso, pensava: Conto de réis, barato, né? Opa, tóxico meu pensar! Voltando à realidade. Como minha mãe me educou: um macho padrão. Libertárias, libertárias, não são para qualquer um. É preciso se libertar do neomachista para tentar colar com uma. Repito, tentar… Minha primeira namorada mamãe classificou de fácil e libertina. Bom, eu avisei: amor não vai de minissaia. Eu respeitei a escolha, mas quem dava o selo de qualidade era a mente antiquada da minha genitora. Foi muito para ela ver a menina sentada no seu sofá, relaxada, com as pernas abertas. Me olhou com olhar de reprovação: Onde já se viu? Como fui criado por ela, não é difícil decifrar sua retina: Moça de família sentar assim. Moça? Pobre velha, parou no tempo mesmo. Ela sempre dizia que ensinou a respeitar as mulheres. Qual delas? As freiras? Já fantasiei muito… Um dia resolvi bater de frente com o ideal de nora dela. Meu rosto arde até hoje. No final, a escolha era minha, claro que bem longe da vista dela. Mas eu não queria um espelho como companheira. Se ela soubesse o quanto eu quebrava ao testemunhar as traições do meu pai. Filho de monstro, monstrinho é. Claro que ela varreu pra debaixo do tapete quando eu traí, machuquei e tentei converter uma dona de si em refém do meu querer. Sombra de mim ou sobra dela? Afinal, eu não nasci assim, eu cresci assim e ela me ensinou assim. Ai! Minha mãe, minha mãe… Era a mulher do meu pai. Né!? Risos…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 25/09/2026
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