

Há pulmões que nasceram para rugir
Tem peito que não foi feito para o silêncio,
e existem doenças que acreditam poder vencer uma pessoa. Apenas porque conseguiram roubar-lhe o ar. Não é assim. Que ingenuidade. Elas ainda não aprenderam que existem mulheres que respiram pelo coração. Mesmo quando o fôlego pede silêncio, sua alma continua rugindo. Você é daquelas mulheres que acordam antes do sol, começam o dia antes da luz e terminam depois que a lua cansou de esperar. Enquanto uns derramam lágrimas buscando ombro, você sorri se fazendo teto. Enquanto muitos procuram uma mão, você oferece as duas. Você é esposa. E permaneceu ao lado quando seria mais fácil desistir. Você é mãe. E aprendeu que o amor é o único alimento que nunca pode faltar dentro de uma casa. Você é a rainha que se veste de operária. Todos os dias enfrenta um mundo que nem sempre é justo, mas volta para casa levando dignidade no alimento que serve à mesa. Há quem pense que força é nunca cair. Não. Força é levantar-se mesmo quando o corpo implora por descanso. Força é continuar amando quando a vida insiste em testar o tamanho desse amor e pessoas teimam em medir o peso desse sentimento. Se hoje seu corpo pede repouso, escute-o. Até as leoas recolhem suas garras quando a natureza lhes ensina que descansar também faz parte da caça. Ninguém vence todas as batalhas correndo sem parar. Porque quem não para não chega inteiro a lugar nenhum. A sabedoria é descansar com os olhos abertos, sem baixar a guarda da alma. Saber, na tempestade, o momento de recuperar as forças para voltar ainda mais forte. A doença conhece seus pulmões. Mas não conhece a história do peito que os abriga. Não conhece as noites em que você venceu o cansaço. Não conhece as lágrimas que você transformou em coragem. Não conhece a mulher que tantas vezes sustentou uma casa inteira enquanto escondia a própria dor atrás de um sorriso. Ela conhece apenas o seu corpo. Eu conheço a sua alma. E é por isso que não tenho medo. Eu sei que ela carrega o que precisa para vencer essa batalha. Sei que essa vontade há de gritar, mesmo quando a escuridão das línguas cospe palavras que pesam. Ela sobrevive. Porque as pedras podem ser pontiagudas na trilha por onde ela segue seu caminhar. Mas nunca conseguiram ensinar uma leoa a esquecer como se levanta. Respire. Devagar. Um dia de cada vez. A vida ainda precisa do seu abraço, do seu sorriso, da sua coragem e desse coração gigante que faz tantas pessoas acreditarem que o amor ainda é capaz de sustentar o mundo. Dedicatória Este poema é para minha irmã de alma, Cris. Uma chefe de família que, para muitos, é apenas mais um corpo em meio à multidão gélida que caminha pelas vielas da selva de concreto paulista, sem saber que, no caos do dia a dia das máquinas, ela encontra tempo para ser humana.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 26/09/2026
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