D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Há pulmões que nasceram para rugir
Tem peito que não foi feito para o silêncio,
e existem doenças
que acreditam poder vencer uma pessoa.

Apenas porque conseguiram roubar-lhe o ar.

Não é assim.

Que ingenuidade.

Elas ainda não aprenderam
que existem mulheres que respiram pelo coração.

Mesmo quando o fôlego
pede silêncio,
sua alma continua rugindo.

Você é daquelas mulheres que
acordam antes do sol,
começam o dia antes da luz
e terminam depois que a lua
cansou de esperar.

Enquanto uns derramam lágrimas buscando ombro,
você sorri se fazendo teto.

Enquanto muitos procuram uma mão,
você oferece as duas.

Você é esposa.

E permaneceu ao lado
quando seria mais fácil desistir.

Você é mãe.

E aprendeu que o amor
é o único alimento
que nunca pode faltar dentro de uma casa.

Você é a rainha
que se veste de operária.

Todos os dias enfrenta um mundo
que nem sempre é justo,
mas volta para casa
levando dignidade no alimento
que serve à mesa.

Há quem pense
que força é nunca cair.

Não.

Força é levantar-se
mesmo quando o corpo implora por descanso.

Força é continuar amando
quando a vida insiste em testar o tamanho desse amor
e pessoas teimam em medir
o peso desse sentimento.

Se hoje seu corpo pede repouso,
escute-o.

Até as leoas recolhem suas garras
quando a natureza lhes ensina
que descansar também faz parte da caça.

Ninguém vence todas as batalhas
correndo sem parar.

Porque quem não para
não chega inteiro
a lugar nenhum.

A sabedoria é descansar
com os olhos abertos,
sem baixar a guarda da alma.

Saber, na tempestade, o momento
de recuperar as forças
para voltar ainda mais forte.

A doença conhece seus pulmões.

Mas não conhece a história
do peito que os abriga.

Não conhece as noites
em que você venceu o cansaço.

Não conhece as lágrimas
que você transformou em coragem.

Não conhece a mulher
que tantas vezes sustentou uma casa inteira
enquanto escondia a própria dor atrás de um sorriso.

Ela conhece apenas o seu corpo.

Eu conheço a sua alma.

E é por isso
que não tenho medo.

Eu sei que ela carrega
o que precisa para vencer essa batalha.

Sei que essa vontade há de gritar,
mesmo quando a escuridão das línguas
cospe palavras que pesam.

Ela sobrevive.

Porque as pedras
podem ser pontiagudas na trilha
por onde ela segue seu caminhar.

Mas nunca conseguiram ensinar
uma leoa
a esquecer como se levanta.

Respire.

Devagar.

Um dia de cada vez.

A vida ainda precisa
do seu abraço,
do seu sorriso,
da sua coragem
e desse coração gigante
que faz tantas pessoas acreditarem
que o amor ainda é capaz
de sustentar o mundo.

Dedicatória

Este poema é para minha irmã de alma,
Cris.

Uma chefe de família que,
para muitos, é apenas mais um corpo
em meio à multidão gélida
que caminha pelas vielas da selva de concreto paulista,
sem saber que, no caos do dia a dia das máquinas,
ela encontra tempo para ser humana.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 26/09/2026

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