D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Ojeriza racial
Dizem ser progresso
a evolução do ébano d’África.

Mas deito os olhos nas chagas
que ainda sangram
e olho fundo
para o passado.

Sim.

No passado em que
eles chegaram como deuses.

Trouxeram armas de fogo,
o fiel da balança
que exterminou tribos
já feridas pelas diferenças
“étnicas”.

Deixa eu te contar, seu moço,
de família com nome e tradição.
Vocês que enriqueceram
sob a servidão do meu povo.

Povo não, etnia.
Palavra grega,
nascida para dizer povo.

E assim,
nos denominaram,
chamando nossos reinos retintos
de amaldiçoados.

Sendo vocês a maldição.

Mas não fomos nós
que chegamos com réguas
para medir humanidade.

Foram os de olhos azuis
e pele alva
que deram nomes às diferenças
e fizeram delas
degraus de dominação.

Adestramento financeiro
e sedução de poder.

Fortaleceram uns
como cães de guarda
e exploraram os recursos
dos outros como prostitutas
no mercado das pulgas.

Quem dá mais!
Quem dá mais!

Leva.

Pisotearam nossos deuses,
tomaram nossas terras,
nosso ouro,
nossos diamantes
e nossa liberdade.

Depois batizaram de avanço
a estrada rasgada sobre a nossa carne
e o chão aberto em cima dos nossos ossos.

Se orgulham, ousando
chamar de desenvolvimento
a ferida cavada no meio do nosso peito.

Chamaram de civilização
o silêncio imposto
às nossas línguas.

Chamaram de fé
a profanação dos orixás
para expor minha existência
como peça de museu.

E quando já não podiam
nos vender em praça pública,
descobriram maneiras mais sutis
de continuar nos avaliando.
Arranjaram jeitos mais polidos
de nos colocar por baixo
da cadeia evolutiva.

Mudaram os nomes.

Senzala virou favela ou comunidade
pra fazerem valer
o politicamente correto.
Mucama virou doméstica
pra mostrar que existem direitos.

O ouro é branco e vale quanto pesa.
Sua venda fomenta a guerra,
é vício que sustenta
quem entrega.

E as armas de hoje
eles só nos entregam peças modernas.
Fuzil com o mesmo estampido
com eco dos dias idos.

Sim, design atual
com o mesmo peso de sempre.

Segregação.

Taí!

Mantiveram a régua preconceituosa
e dissimulada,
sem perder o pudor.

É claro.

Consegue ver a semelhança?

Aqui minha primeira interrogação
que dança desnuda à margem
das entrelinhas da narrativa.

Esperem pra ver,
para sentir o peso da consciência
quando este poema parir
as reticências.

Porque no hoje a estória se repete.
Com as mesmas táticas,
para apagar a luz dos fatos
da colonização.

Ou no apagar delas.

Pobre preto à direita do criador,
capataz sem pedigree,
mas com coleira e focinheira.

Lamentável…

Que,
aos seus semelhantes, ele ataca e morde em um frenesi
de raça cultivada em laboratório.

Mente branca em pele escura.

E você que se crê imagem e semelhança deles,
alma de polo invertido.

Segue aí abanando o rabo
melhor amigo do homem que violentou
sua ancestralidade.

Senta.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 12/10/2026
Alterado em 13/10/2026
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