

A vida tem balanço e encenações…
Respeitável público!
Vamos dar as boas-vindas a ele: O pensar poético. Repito: Pró ético! O show de pontos e vírgulas vai começar. Tirem os conservadores da página, que ele vai transgredir. Literariamente, até o último ato de toda a cena. Apague a luz, desligue a câmera e saia do conformismo. Ação! O bom da performance são as entrelinhas que habitam esse mundo chamado poesia. Pantomima imaginária, aquilo que os chamados homens “primitivos” deixaram nas cavernas. Arte? Talvez. A interpretação sempre pertence a quem observa. Mas… Deitemos nos seios rechonchudos da inspiração e fantasiemos uma vida. Ah, que delícia! De olho fechado então… Poetar é preciso e viver faz bem. E compre um terreno nos confins das estrofes. Eu sempre digo isso. Depois das entrelinhas, é claro. Deixar fluir da caneta entre os dedos o que a retina descarga na mente e do coração da gente recicla os frutos da emoção. Confia e segura nas mãos imaginárias. Que elas te guiem a campos onde metódica é a lei que a metáfora quebra por prazer. Um ponto seco antes de seguir. Tem hora que a vida encosta na gente sem bater e derrama o que a gente jurava estar guardado no fundo. Mas acho que a gente não é só o que cabe na caneca, a gente é o que aprende depois de cada entornada. Porque ninguém anda por aí carregando só mel. Tem dia que o café sai amargo mesmo. E tá certo. O trago ruim ensina a boca a achar o açúcar, assim como a escrita nos faz achar os dias. O que não cabe é erguer casa na crítica e habitar o azedo que nos habita. E nem fazer da consciência um dicionário que só conjuga no gosto dos outros, que só traduzem aplausos como educação. Liberte-se, que será libertador. No fim, a vida balança, derrama, quebra umas louças pelo caminho… E a gente? A gente recolhe os pedaços, passa outra rodada e segue. Porque viver é isso: não trocar um dia de merda por uma vida inteira. O papel de cada um nessa passagem tem sentimento, poeta. O vício de uns é lamentar e o de outros, respirar o ar coletivo. O nosso vício é a escrita, poeta, que nela eterniza a vida. Já somos perseguidos por pensar e eternos em transgredir. O show tem que continuar…
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 16/10/2026
Alterado em 16/10/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. |