D'Bara Arruda

Ecos D'Africa Contos é minha história em Versos, Sentimentos, Poesias e Musica.

Textos

Cálculos do amor e a equação vazia da vida
A matemática não dá conta
de calcular o amor.

Não.

Não dá conta,
trocadilho indecente
e interessante.
Perverso latejante na mente
de alguém que já degustou vários
protótipos de amor.

Eu e meu ego puritano do amor
na ordem dos fatores
pensamos que poderíamos moldar o produto.

Talvez não.

Talvez meu erro tenha sido
querer calcular o imprevisível.

Ah, minha santa eloquência,
quantas manhãs depois de passar
a madrugada conectando polos
de fases diferentes.

Pensava.
Pensei.
Penso.

Sim, em ter executado uma conjunção
com requintes de ação de soma
perfeita e intensa.

Às vezes intensa até demais,
dessas de durar dias.

Ou…

Noites de Pierrô e colombinas,
bailes onde o Cravo transou com a Rosa até que as pétalas desabrochassem feito gozo de purpurina.

Não, não.
O choro era de puro êxtase.

Memórias de amores de um carnaval,
na quarta-feira de cinzas
vidas que seguem.

É claro…
que a carne é fraca.

Mas o amor não é carnal.

O tesão é só placebo, meu caro.
Química que alivia as necessidades
básicas do humano.

Bom, seguimos…

E de onde a carência infantil
se amarrava ao apego,
a divisão encontrava seu avatar perfeito no amor maternal.

Interessante amor de mãe…

Mesmo que fosse eu o filho favorito.
Ela sentia o mesmo afeto
em parcelas iguais.

E quando a prole estava fora de casa,
a preocupação pesava a cabeça
com o mesmo temor.
É claro que contava pra saber
se todos retornaram a casa.

Sempre gostei da aritmética,
mas nunca entendi quando a mãe dizia:

“Conte todas as estrelas do universo
e saberás o tamanho do meu amor.”

E eu só olhava pro céu atônito
ao enxergar o vazio
entre as estrelas…

Entre as estrelas.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/10/2026
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