

Cálculos do amor e a equação vazia da vida
A matemática não dá conta
de calcular o amor. Não. Não dá conta, trocadilho indecente e interessante. Perverso latejante na mente de alguém que já degustou vários protótipos de amor. Eu e meu ego puritano do amor na ordem dos fatores pensamos que poderíamos moldar o produto. Talvez não. Talvez meu erro tenha sido querer calcular o imprevisível. Ah, minha santa eloquência, quantas manhãs depois de passar a madrugada conectando polos de fases diferentes. Pensava. Pensei. Penso. Sim, em ter executado uma conjunção com requintes de ação de soma perfeita e intensa. Às vezes intensa até demais, dessas de durar dias. Ou… Noites de Pierrô e colombinas, bailes onde o Cravo transou com a Rosa até que as pétalas desabrochassem feito gozo de purpurina. Não, não. O choro era de puro êxtase. Memórias de amores de um carnaval, na quarta-feira de cinzas vidas que seguem. É claro… que a carne é fraca. Mas o amor não é carnal. O tesão é só placebo, meu caro. Química que alivia as necessidades básicas do humano. Bom, seguimos… E de onde a carência infantil se amarrava ao apego, a divisão encontrava seu avatar perfeito no amor maternal. Interessante amor de mãe… Mesmo que fosse eu o filho favorito. Ela sentia o mesmo afeto em parcelas iguais. E quando a prole estava fora de casa, a preocupação pesava a cabeça com o mesmo temor. É claro que contava pra saber se todos retornaram a casa. Sempre gostei da aritmética, mas nunca entendi quando a mãe dizia: “Conte todas as estrelas do universo e saberás o tamanho do meu amor.” E eu só olhava pro céu atônito ao enxergar o vazio entre as estrelas… Entre as estrelas.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 24/10/2026
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