

Edifício de memórias, reunião de condomínio
Caríssimos condôminos,
com a palavra a consciência: Pauta do dia: Tudo aquilo que o olhar captura e as tentações que o seduzem pela preguiça de analisar antes de descer ao porão da minha história. Bom. Além dessas reclamações sensoriais contra a administração do discernimento. Síndico que traz consigo um balde cheio de lágrimas e contrapesos de um sentimento pleno de risos. E a decência sobe e desce na escada de emergência que leva ao resgate do meu eu verdadeiro. Sim! A escada de serviço tem degraus infinitos em que às vezes o ego escorrega no suor do esforço procedimental. E a curto prazo caio ao tentar ignorar corredores contendo portas onde sepultei aquilo que me secou a ênfase de superação. E de repente sobre mim, as lágrimas do meu balde de ais. Enquanto uma mão oferecendo ajuda entre risos me diz: Escada sem corrimão, eu avisei… É, tem fundamento, senhor zelador. Cada andar, a longo prazo, um capítulo de série para se maratonar… Então fica a lição: Melhor ser o burro que finca o pé e estranha o jugo do medo do que o ajuizado que finge não sentir o peso do que carregou. O sábio que faz de conta que ser prudente é enterrar o que viveu, chamando isso de paz. Não, ego! Esse não sou eu. Prédio de fachada bonita para esconder aos olhos alheios as rachaduras da vida. Ah, ponderações reintegrando pensamentos que reatam o domínio do riso ferido. Transtornando a coragem de continuar mesmo cansado. Episodicamente, a certeza de que eu sou o que cuida do alicerce no porão, essa é a base que sustenta todo o peso do pensar… Não existe folga para a consciência, que além de zeladora faz de porteira. Eu uso todos os dias o elevador para chegar até o sótão, mas é descendo as escadas que eu entendo o cerne do meu existir. Palavras da coerência ao encerrar a reunião: Aviso: Escada sem corrimão. E que fique registrado na ata do condomínio.
DBara Arruda
Enviado por DBara Arruda em 04/11/2026
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